Olá!
Hoje falo de um tema diferente remetendo a algumas memórias de infância. Sobretudo, porque todos os dias são bons para valorizar e agradecer.
Até há bem pouco tempo pensava na educação pré-escolar e jardim de infância como um factor em défice no meu percurso de vida. As aprendizagens poderiam ter sido potenciadas se tivesse começado a escola mais cedo. Curiosa por natureza, tenho vindo a ler assuntos sobre este tema e surgem imensas teorias e práticas relacionadas com as opções de educação pré-escolar. Será importante a criança saber ler aos 3 anos? Ou fazer contas aos 4? Talvez seja positivo, mas e se ela nem souber apertar os sapatos?
Comecei a perceber que realmente é uma fase controversa em termos de consenso científico, sobre o melhor ou o mais certo para a aprendizagem nesta fase. Em comum, todas as vertentes de educação assinalam esta faixa etária como fundamental para toda a estruturação da vida adulta: início da construção da autoconfiança, amor próprio, iniciativa e criatividade, são alguns exemplos.
E eu?
O meu jardim de infância foi a casa da minha avó, lá existiam regras, valores e carinho. Existiam brinquedos e espaço para criar, brincar, saltar e disparatar. Os limites também estavam bem definidos, porque aprender a ser pessoa também exigia isso.
...Com tanta liberdade e brincadeira, sem ensino formal, o que aprendi afinal?
De antemão sabia bem que os mais velhos mereciam respeito, cuja exceção seria algum estranho mal educado ou que tentasse oferecer prendas sem autorização dos meus educadores.
A porta não era da minha responsabilidade, pelo que estava interdita a abertura da mesma pela minha "pessoinha".
Os brinquedos nunca ficavam fora do lugar, acabadas as brincadeiras.
Podia perguntar à avó o que quisesse, ela sabia sempre tudo. Algumas confidências, aprendi a geri-las, normalmente eu sabia o que esperar dela, incluindo quando fazia asneiras.
Criei em plasticina, giz e puzzles. Ajudei na poda das plantas e na limpeza do quintal. As "ervinhas" aromáticas eram para respeitar e as rosas não eram para tocar.
Qualquer canto no chão era o recreio ideal mas só depois da mantinha colocada que delimitava esse espaço.
De verão, lá o avô arranjava a piscina insuflável e no inverno a avó dava-me o chá de limão e mel e as meias tricotadas com amor, para poder brincar sem calçado e sem frio.
Que melhor aprendizagem teria eu, se o que aprendi assenta nos valores mais importantes da vida?
Em linguagem das redes sociais será algo assim: #respeito #carinho # amor #afeto #empatia #autonomia #criatividade #tudo
Até já, que prometo não ser tão demorada até ao próximo "Olá".